Estado

Quanto mais Estado, mais hipóteses de a lei da selva não se impor à sociedade. A melhor sociedade é aquela que, conscientemente, se organiza e escapa à lógica do mais forte, protegendo os mais fracos e aspirando a uma organização cada vez mais perfeita. Num mundo ideal, o Estado garante trabalho, habitação e educação para todos e é a expressão da vontade colectiva.

ou

Quanto menos Estado, mais garantias de liberdade para os cidadãos. Quanto mais Estado, mais ingerência, menos transparência de mercados, mais subsidiodependência, menos produtividade: em suma, todos saem prejudicados. O Estado deve limitar-se a garantir a liberdade e segurança de todos. Num mundo ideal, nem isso: os cidadãos contratam, em liberdade, a melhor forma de alcançar a segurança e garantir os seus direitos.
Ponto da situação

1. A bidefinição de Jihad foi publicada por sugestão do autor do blog Observatório da Jihad. Agradeço e convido todos os leitores a fazerem o mesmo.

2. Agradeço ainda à Carla Quevedo do Bomba Inteligente o destaque a este Bicionário.

3. Por último, agradeço as palavras de Isabel Faria e de Daniel Arruda, do Troll Urbano, e as de Emiéle, do Pópulo, na sequência dos meus comentários "publicitários".

Crise de valores

O maior problema da sociedade actual.

ou

O mais empedernido lugar-comum dos nossos dias.

Religião

Uma das mais nobres expressões de humanidade e do devido amor ao Criador. Foi amaciando a violência animalesca do homem ao longo dos séculos. Permite desenvolver o sentido de comunhão e comunidade.

ou

Causa de guerras, mortes, perseguições, fundamentalismos, ilusões e rigidez de pensamento. Atrasa o desenvolvimento do pensamento científico e enreda a população em superstição, crendice e estupidez.

Jihad

A expressão do atraso cultural, do fundamentalismo e do ódio à liberdade de muitos muçulmanos.

ou

Uma reacção legítima de uma velha civilização aos constantes ataques do ocidente.

Humor

A melhor expressão da inteligência e da amizade.

ou

A melhor forma de demarcar os outros e mostrar superioridade.

Literatura light

Boa maneira de incentivar a leitura.

ou

Boa maneira de afastar as pessoas da boa leitura.

Inteligência

Capacidade de ter duas ideias opostas na cabeça.

ou

Capacidade de escolher entre uma delas.

Cidades

Locais de confusão, barulho, trânsito, poluição, stress e solidão entre muita gente. Com tanto espaço deserto, limpo e calmo, o ajuntamento aparentemente forçado de milhares de seres humanos nestes espaços sujos e apertados é dos maiores absurdos da modernidade. Antros de promiscuidade, perda de tempo, corrupção, ilusões. Um formigueiro infernal que animaliza a humanidade.

ou

Espaços que libertam com a leveza do anonimato consciente e onde as amizades escolhidas se sobrepõem à ditadura das tradições e do controlo social castrador. Verdadeiras comunidades de indivíduos livres. Espaço humano ideal, onde as sinergias se manifestam na criatividade que faz avançar o mundo e lhe dá beleza. Espaços de cultura, onde os estímulos constantes, a inteligência e a troca de ideias humanizam o que de animal há em nós.

Porto

A cidade da elegância inteligente, da solidez dos ritos discretos, da serenidade sábia decantada durante séculos, com uma cultura requintada, sem os maneirismos lisboetas. Cidade dum nocturno belo, moderna e conservadora q.b., sabe bem como um bom livro e um bom cálice de Porto.

ou
Cidade velha, suja, incompreensível, provinciana e arrogante, com uma cultura periférica e umbiguista. Ruas estreitas, má sinalização, um constante estaleiro. Fria, triste e confusa, nevoenta e escura, faltou-lhe um terramoto para a desempoeirar.


Discurso

...rígido, chato, cheio de lugares comuns... uma idiotice... nem a esse nível o seu discurso chegou...

ou

...não me lembro de um discurso presidencial dos últimos dez a quinze anos que tivesse posto assim o dedo na maior ferida portuguesa...

José Sócrates

Tem finalmente a coragem e arrogância necessárias para as medidas difíceis. É claro, não entra em cantigas, imprime a necessária disciplina ao país. Deixando de lado as divisões caducas entre esquerda e direita, é o possível salvador da democracia enquanto regime sustentável. Uma surpresa.

ou

Mestre da demagogia porque discreto, utiliza a propaganda como nunca fizeram em Portugal desde os anos 40, põe os portugueses uns contra os outros em nome do combate aos privilégios, aumenta a despesa e põe em causa direitos cuja conquista demorou décadas. Podia ter sido primeiro-ministro antes do 25 de Abril. Uma desilusão.

Sexo

A obsessão do mundo actual, prova da decadência da Europa, do amolecimento dos costumes, da fraqueza moral, a começar pela nossa juventude hedonista, baralhada e arrogante. Como em todas as civilizações, o deboche actual mostra inequivocamente o sentido decadente da nossa civilização e a falta de fibra do homem moderno.

ou

Componente central duma vida completa, seja como expressão do amor ou apenas como prazer legítimo. A forma descomplexada como o mundo actual o encara prova que a liberdade melhorou a nossa vida, tirando-nos dos ombros as frustrações e perversões passivas dos moralistas de todos os tempos. Fonte da beleza dos dias, está em tudo, mesmo no piscar de olhos sorrateiro de quem desejamos: e é bom, ponto.

25 de Abril

O dia em que Portugal se libertou da ditadura, pôde respirar em liberdade e começou a libertar-se da eterna pobreza. A revolução que nos libertou duma ideologia paternalista de pais-nossos e fadinhos. Uma explosão de alegria no cinzento da História.

ou

O dia em que Portugal interrompeu uma década de crescimento económico e se lançou no turbilhão duma revolução que destruiu a economia nacional. A época que nos deixou reféns duma cultura de esquerda. Uma bebedeira de loucos que minou o país.

Globalização

1. Garante da liberdade, do desenvolvimento e dos valores democráticos. Só não a deseja quem já é rico.

2. Garante dos lucros das multinacionais e do alargar do fosso entre pobres e ricos. Só a deseja quem já é rico.

Professores

1. Com poucos ovos (más condições, maus ministérios), fizerem uma boa omolete, melhorando os níveis de literacia dos jovens portugueses para níveis inimagináveis há trinta anos: os jovens lêem mais e melhor e são mais produtivos que os seus pais e avós (todos os estudos o confirmam).

2. Enredados numa rede de corporativismo caduco, são incompetentes, amarrados ao tacho, têm horror à mudança, defendem ideologias caducas que tentam incutir irreflectidamente aos alunos. O resultado: gerações de jovens sem rumo, presos a uma cultura pimba, sem disciplina nem cultura de esforço.