Feriados

O seu excesso é uma portuguesíssima forma de escapar ao trabalho, com a consequente diminuição da produtividade nacional. No fundo, somos todos preguiçosos.

ou

A sua existência é garantia de realização pessoal de cada um para lá de horários, obrigações, rotinas. Essenciais para a boa produtividade do país.

Ciência

Instrumento essencial ao homem. Atitute de clareza, método, racionalidade, progresso. Permitiu dissipar medos e ilusões e contribuir para um mundo bem melhor. Permitiu ainda dar ao ser humano a humildade que lhe faltava e iluminou, através de princípios simples mas muito produtivos, vastas áreas do conhecimento.

ou

Julga-se única explicação do mundo, acabando por cair numa atitude de superioridade moral e intelectual em relação a outras áreas do conhecimento humano (religião, literatura, etc.). Não chega para perceber o que nos rodeia, mas é eficaz, com a sua pretensa racionalidade, a fechar canais de reflexão e entendimento.
Ponto da situação

Obrigado ao seven, do Obvious, pela citação.

Verdade

A verdade está num dos extremos e é preciso escolher.

ou

A verdade está algures no meio e é preciso procurar.

Ideologia

Uma forma de fé, tão ilusória e perigosa como todas. Ir a um congresso partidário não é muito diferente de ir a Fátima.

ou

Uma forma de actuar de forma racional e com objectivos claros. O exacto oposto da cegueira da fé e da irracionalidade "espiritual".

Força que nos permite aguentar, acreditar, amar, ser felizes apesar de tudo. A falta dela tira-nos o golpe de asa para percebermos o sentido verdadeiro da vida. Ao contrário do que se pensa, ter fé é muito mais difícil do que não a ter. Dá-nos segurança, felicidade, uma rede para as quedas abruptas que todos experimentamos, mas exige-nos uma entrega total, a dedicação que precisamos para ser humanos, a força de nos fazermos maiores que nós.

ou

Forma de desistir, de deixar de acreditar no aqui para passar a sonhar com um além ilusório. Ter fé é cair na tentação fácil de acreditar numa entidade protectora e paternal que nos protege, mesmo quando não merecemos. Radica na ignorância, na preguiça, na obsessão, na falta de coragem para assumir a falta de sentido ou para assumirmos a necessidade de criarmos um sentido para nós próprios, não uma qualquer doutrina pré-fabricada e formatada por milénios de ilusões.

Desenvolvimento

Portugal está cada vez mais próximo do mundo subdesenvolvido e cada vez mais longe da Europa. O resto são tretas.

ou

Portugal saiu definitivamente do terceiro mundo e está, de pleno direito, no grupo de países ricos. O resto são traumas.

Leitura

Lê-se menos e pior: menos escritores bons, mais escritores maus e, no geral, menos literatura e mais televisão. A culpa é da educação, da sociedade, da preguiça, de tanta coisa.

ou

Lê-se, em termos absolutos, cada vez mais. Há mais escritores "bons" publicados (e "maus" também), mais traduções de grandes clássicos, mais leitura, mais "movimento". Os estudos não enganam. Os Portugueses, embora não o vejam, estão a ficar mais cultos.

Estatuto da Catalunha (Estatut de Catalunya)

Forma de acomodar uma das mais antigas nações da Europa (fundada do séc. X) num Estado poderoso e forte, cada vez mais longe da ilusão unitária duma Espanha castelhana e mais próximo da Nação de Nações que foi a Espanha do século XV, exemplo duma Europa una e diversa.

ou

Documento intervencionaista, refém de ideias politicamente correctas, dum nacionalismo rançoso, dum separatismo que irá contribuir para balcanizar Espanha, destabilizar a Península e, a prazo, pôr em causa todo o projecto europeu. É uma questão de alguns anos e de mais algumas fraquezas.

Português

Escreve-se e fala-se cada vez pior. Basta ler os escritores do século XIX, ouvir gravações antigas, escutar os nossos avós e depois comparar com os jornais de agora, a televisão de agora, os jovens de agora e temos uma boa radiografia da decadência da língua.

ou

Escreve-se cada vez melhor e fala-se cada vez melhor. Quem se queixa está apenas a repetir um chavão eterno (desde o Império Romano): que a língua está em decadência. Na realidade, confundem decadência com mudança e não vêem (bastava ir à RTP Memória) que a língua está bem e recomenda-se.

Literatura

Inutilidade muito apreciada por preguiçosos.

ou

Sintoma e base do verdadeiro desenvolvimento.
Série países: Espanha | Portugal | França | França (em Portugal) | Inglaterra | Estados Unidos | China | Malawi.

França (em Portugal)

Baluarte da verdadeira cultura, da literatura humana, da arte do cinema, da boa gastronomia. Uma ilha contra a invasão de mediocridade e massificação de cariz anglo-saxónico.

ou

Musa dos pseudo-intelectuais agarrados a uma ideia de "alta cultura" e "excepção cultural" que mais não é do que preconceito, elitismo e defesa acérrima de antigos privilégios.

França

Onde a sociedade ainda consegue sair à rua e mostrar a sua vitalidade.

ou

Onde a sociedade tenta remar constantemente para o passado.

Portugal

Uma surpresa da História. A um canto da Península, manteve-se independente e estável, resistindo ao centralismo castelhano. A única nação consensual da Península.

ou

Uma aberração histórica. No processo de unificação peninsular, manteve-se como espinha independente que não permitiu fazer surgir uma nação unida, consensual e desenvolvida na Península.

Espanha

Nação forte, desenvolvida, economicamente saudável, sem complexos de inferioridade, com uma cultura invejada e sólida.

ou

Estado atravessado por profundas divisões de identidade, sem sentido nacional comum, com divergências de fundo quanto à própria ideia de Espanha.

Música

Ritmo essencial do mundo, discreto e permanente, a mãe de todas as artes.

ou

Forma de dividir gostos e irritar a calma dos dias, impingindo aos outros o nosso inferno.

Divisões sexuais

O mundo divide-se entre homens e mulheres.

ou

O mundo divide-se entre quem o faz e quem o quer fazer.

Divisões do mundo

O mundo divide-se entre os que têm a coragem e o discernimento para destrinçar e aqueles que fogem a todo o custo de decidir de que lado estão.

ou

O mundo divide-se entre quem o vê a preto e branco e quem consegue aceitar e jogar com todos os cinzentos subtis.

Portugueses

Preguiçosos, pouco produtivos, com educação muito abaixo da média, sem espírito científico e muito menos espírito crítico, enredados em traumas históricos sem sentido, acham sempre que Portugal é o pior país do mundo mas a culpa é sempre dos outros. Um enorme complexo de inferioridade perante os vizinhos, especialmente Espanha.

ou

Espertos, interessados, muito empenhados, conseguem um nível de produtividade surpreendente tendo em conta o nível de atraso estrutural das empresas e Estado. Curiosos, desenrascados, conseguem tudo o que querem, quando querem. Isto sem complexos de superioridade europeus e sem os problemas de identidade nacional dos vizinhos espanhóis.