Bicionário
Definições esquizofrénicas para uso em qualquer conversa.
Edição em papel
Brasil
Lisboa
Democracia
ou
Uma desculpa formal para justificar todas as tiranias materiais: fingimo-nos civilizados, mas enredamo-nos na barbárie mais profunda e insidiosa, porque disfarçada.
RTP
Um património imprescindível. Sem a RTP, Portugal será o único país europeu sem serviço público. Só mesmo a cegueira ideológica dum governo ultraliberal pode achar que ficamos mais ricos sem uma televisão independente e de qualidade. A RTP não é um negócio. A RTP é inalienável. (E ainda por cima dá lucro!)
Austeritarismo
2. Um termo sem sentido -- a austeridade é o primeiro passo para crescermos e é fruto das decisões anteriores e das votações democráticas.
François Hollande
2. A prova de que os povos podem decidir mal e escolher o caminho mais fácil e, claro, quase suicida.
Anúncio da Coca-Cola
Viajar
Empresa
Fernando Nobre
Odisseia
ou
Uma forma de nos fingirmos quem não somos. Serve para marcar distâncias e gozar sem ser gozado. Uma feira de vaidades e invejas. Parece que nos aproxima dos outros, mas não nos deixa ver para lá do nosso pequeno mundo de todos os dias.
Manifestantes franceses
ou
Os eternos insatisfeitos, que param um país para protestar contra medidas essenciais para salvar o sistema de protecção social.
http://en.wikipedia.org/wiki/File:May_68_poster_1.png
Obama
(Intervalo)
Eyjafjallajokull | Crise | Opiniões | Livros | Música
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Pierre-Auguste Renoir, As grandes banhistas, 1887.
Eyjafjallajokull
ou
Prova de que os humanos têm capacidade para pronunciar palavras que não lembram ao Diabo.
Crise
ou
Provocada pelo despesismo do estatismo imperante, há soluções óbvias que só não são aplicadas porque o politicamente correcto é fechar os olhos e achar que esta é uma boa oportunidade para dar cabo do sistema, para que a economia venha a cristalizar numa forma saloia de socialismo que, longe de proteger quem quer que seja, irá tornar-nos a todos mais pobres.
Opiniões
Todos temos direito a ter opinião, qualquer que ela seja. A diversidade de opiniões é uma grande riqueza e defender uma opinião contra quem a ataca é um acto de coragem. A verdade está nos olhos de quem a vê. Como não é possível chegar a conclusões certas, tentar mudar a opinião dos outros é sempre uma violência e é sempre inútil. Aceitar este facto é sinal de inteligência.
ou
O direito a ter opinião é respeitável, mas as opiniões não são todas iguais: umas nascem certas e outras erradas. Todos temos o dever de tentar distingui-las, atacando sem piedade as opiniões nossas e alheias para saber quais se aguentam à bronca. Saber mudar de opinião perante melhores argumentos é um acto de coragem e de inteligência.
Livros
Uma forma de nos escondermos do mundo.
ou
Uma forma de não nos limitarmos à nossa própria vida.
Música
Uma forma de prazer, de emoção estética, de percepção, de felicidade. Forma concentrada de consciência que não pode ser explicada por palavras.
ou
Uma forma de distinguir os que gostam das coisas certas daqueles que gostam de porcaria. Forma concentrada de identidade.
Ikea
Verdade (2)
A verdade depende de cada um e existe apenas enquanto invenção individual.
ou
A verdade existe independentemente do que achamos ou queremos achar a cada momento.
Comida espanhola
ou
Bicionário
Tentativa fútil de apresentar duas perspectivas opostas sobre a mesma coisa, acabando por mostrar apenas a caricatura de duas opiniões possíveis, ambas provavelmente erradas, num exercício estéril de comentário pseudo-democrático, que não arrisca decidir.
ou
Tentativa de alargar as vistas, pensando em formas opostas de ver a mesma questão, levando-nos a olhar de fora para aquilo que nós próprios pensamos. Tem como objectivo ajudar-nos a ouvir o que os outros dizem. Um pequeno remédio contra o excesso de certezas das conversas do dia-a-dia.
(Para este recomeço, algumas bidefinições antigas: Portugal, Professores, Feriados, Espanha, Estado, Divisões Sexuais, Inteligência, Crise de Valores, etc.)
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Edward Hopper, Summer Interior (1909).
Pedro Abrunhosa
Arte contemporânea
Um antro de pretensiosismo, que produz absurdidades em série, cujo significado só pode ser “interpretado” pela elite bem-pensante. Funciona como mercado fechado e como peneira social e económica, disfarçada de peneira estética. Uma feira de vaidades, um empecilho à divulgação da verdadeira arte e, no fundo, uma caixa cheia de nada, exposta numa sala vazia.
ou
Um mundo de inovação e criação, que foge das antigas cristalizações em estilos e escolas estanques. Com uma simplicidade desarmante, possui um valor estético inacessível a quem tem o gosto formatado pela cultura de massas e de mediocridade que impera no mundo de hoje. Põe em causa e está longe de poder ser compreendida pelo mundo pequeno-burguês, que julga tudo à sua imagem.
Recomeçar
O ideal é apagar tudo e fazer de novo, porque o mundo está podre.
ou
Apagar tudo é a origem dos grandes erros: temos de começar onde estamos.
Sócrates (2)
ou
O problema não é se é engenheiro ou não o é, mas sim se falsificou documentos ou enganou os eleitores. Só neste país se confunde assim alhos com bugalhos.
Despenalização do Aborto
ou
A reposição duma liberdade básica de qualquer indíviduo. O fim da hipocrisia das mulheres julgadas por terem escolhido o que fazer com a sua própria vida, exemplo típico da podridão dos "valores tradicionais". O direito da mulher a dispor do seu corpo é inegociável. Uma questão básica de moralidade.
Educação
ou
Uma compenente básica da sociedade. Aos professores é confiada a missão de educar os cidadãos e são, por consequência, pagos por todos nós. Compete ao Governo garantir a qualidade do serviço. Não se podem aplicar as regras do mercado numa área onde não há "clientes" -- a educação é, e deve ser, obrigatória para todos e com a qualidade exigida pela sociedade.
Feriados
ou
A sua existência é garantia de realização pessoal de cada um para lá de horários, obrigações, rotinas. Essenciais para a boa produtividade do país.
Ciência
ou
Julga-se única explicação do mundo, acabando por cair numa atitude de superioridade moral e intelectual em relação a outras áreas do conhecimento humano (religião, literatura, etc.). Não chega para perceber o que nos rodeia, mas é eficaz, com a sua pretensa racionalidade, a fechar canais de reflexão e entendimento.
Verdade
ou
A verdade está algures no meio e é preciso procurar.
Ideologia
ou
Uma forma de actuar de forma racional e com objectivos claros. O exacto oposto da cegueira da fé e da irracionalidade "espiritual".
Fé
ou
Forma de desistir, de deixar de acreditar no aqui para passar a sonhar com um além ilusório. Ter fé é cair na tentação fácil de acreditar numa entidade protectora e paternal que nos protege, mesmo quando não merecemos. Radica na ignorância, na preguiça, na obsessão, na falta de coragem para assumir a falta de sentido ou para assumirmos a necessidade de criarmos um sentido para nós próprios, não uma qualquer doutrina pré-fabricada e formatada por milénios de ilusões.
Desenvolvimento
ou
Portugal saiu definitivamente do terceiro mundo e está, de pleno direito, no grupo de países ricos. O resto são traumas.
Freitas do Amaral
ou
Homem de solidez e coerência acima da média, foi de direita quando era perigoso ser de direira, é social-democrata quando já não está na moda ser social-democrata. Coerente consigo próprio, provoca invejas e não é compreendido num país esquartejado em clubes ideológicos.
Leitura
ou
Lê-se, em termos absolutos, cada vez mais. Há mais escritores "bons" publicados (e "maus" também), mais traduções de grandes clássicos, mais leitura, mais "movimento". Os estudos não enganam. Os Portugueses, embora não o vejam, estão a ficar mais cultos.
Estatuto da Catalunha (Estatut de Catalunya)
ou
Documento intervencionaista, refém de ideias politicamente correctas, dum nacionalismo rançoso, dum separatismo que irá contribuir para balcanizar Espanha, destabilizar a Península e, a prazo, pôr em causa todo o projecto europeu. É uma questão de alguns anos e de mais algumas fraquezas.
Português
ou
Escreve-se cada vez melhor e fala-se cada vez melhor. Quem se queixa está apenas a repetir um chavão eterno (desde o Império Romano): que a língua está em decadência. Na realidade, confundem decadência com mudança e não vêem (bastava ir à RTP Memória) que a língua está bem e recomenda-se.
Literatura
ou
Sintoma e base do verdadeiro desenvolvimento.
França (em Portugal)
ou
Musa dos pseudo-intelectuais agarrados a uma ideia de "alta cultura" e "excepção cultural" que mais não é do que preconceito, elitismo e defesa acérrima de antigos privilégios.
França
ou
Onde a sociedade tenta remar constantemente para o passado.
Portugal
ou
Uma aberração histórica. No processo de unificação peninsular, manteve-se como espinha independente que não permitiu fazer surgir uma nação unida, consensual e desenvolvida na Península.
Espanha
ou
Estado atravessado por profundas divisões de identidade, sem sentido nacional comum, com divergências de fundo quanto à própria ideia de Espanha.
Música
ou
Forma de dividir gostos e irritar a calma dos dias, impingindo aos outros o nosso inferno.
Divisões sexuais
ou
O mundo divide-se entre quem o faz e quem o quer fazer.
Divisões do mundo
ou
O mundo divide-se entre quem o vê a preto e branco e quem consegue aceitar e jogar com todos os cinzentos subtis.
Portugueses
ou
Espertos, interessados, muito empenhados, conseguem um nível de produtividade surpreendente tendo em conta o nível de atraso estrutural das empresas e Estado. Curiosos, desenrascados, conseguem tudo o que querem, quando querem. Isto sem complexos de superioridade europeus e sem os problemas de identidade nacional dos vizinhos espanhóis.
Estado
ou
Quanto menos Estado, mais garantias de liberdade para os cidadãos. Quanto mais Estado, mais ingerência, menos transparência de mercados, mais subsidiodependência, menos produtividade: em suma, todos saem prejudicados. O Estado deve limitar-se a garantir a liberdade e segurança de todos. Num mundo ideal, nem isso: os cidadãos contratam, em liberdade, a melhor forma de alcançar a segurança e garantir os seus direitos.
1. A bidefinição de Jihad foi publicada por sugestão do autor do blog Observatório da Jihad. Agradeço e convido todos os leitores a fazerem o mesmo.
2. Agradeço ainda à Carla Quevedo do Bomba Inteligente o destaque a este Bicionário.
3. Por último, agradeço as palavras de Isabel Faria e de Daniel Arruda, do Troll Urbano, e as de Emiéle, do Pópulo, na sequência dos meus comentários "publicitários".
Crise de valores
ou
O mais empedernido lugar-comum dos nossos dias.
Religião
ou
Causa de guerras, mortes, perseguições, fundamentalismos, ilusões e rigidez de pensamento. Atrasa o desenvolvimento do pensamento científico e enreda a população em superstição, crendice e estupidez.
Jihad
ou
Uma reacção legítima de uma velha civilização aos constantes ataques do ocidente.
Humor
ou
A melhor forma de demarcar os outros e mostrar superioridade.
Literatura light
ou
Boa maneira de afastar as pessoas da boa leitura.
Inteligência
ou
Capacidade de escolher entre uma delas.
Cidades
ou
Espaços que libertam com a leveza do anonimato consciente e onde as amizades escolhidas se sobrepõem à ditadura das tradições e do controlo social castrador. Verdadeiras comunidades de indivíduos livres. Espaço humano ideal, onde as sinergias se manifestam na criatividade que faz avançar o mundo e lhe dá beleza. Espaços de cultura, onde os estímulos constantes, a inteligência e a troca de ideias humanizam o que de animal há em nós.
Porto
ou
Cidade velha, suja, incompreensível, provinciana e arrogante, com uma cultura periférica e umbiguista. Ruas estreitas, má sinalização, um constante estaleiro. Fria, triste e confusa, nevoenta e escura, faltou-lhe um terramoto para a desempoeirar.
José Sócrates
ou
Mestre da demagogia porque discreto, utiliza a propaganda como nunca fizeram em Portugal desde os anos 40, põe os portugueses uns contra os outros em nome do combate aos privilégios, aumenta a despesa e põe em causa direitos cuja conquista demorou décadas. Podia ter sido primeiro-ministro antes do 25 de Abril. Uma desilusão.
Sexo
ou
Componente central duma vida completa, seja como expressão do amor ou apenas como prazer legítimo. A forma descomplexada como o mundo actual o encara prova que a liberdade melhorou a nossa vida, tirando-nos dos ombros as frustrações e perversões passivas dos moralistas de todos os tempos. Fonte da beleza dos dias, está em tudo, mesmo no piscar de olhos sorrateiro de quem desejamos: e é bom, ponto.
25 de Abril
O dia em que Portugal se libertou da ditadura, pôde respirar em liberdade e começou a libertar-se da eterna pobreza. A revolução que nos libertou duma ideologia paternalista de pais-nossos e fadinhos. Uma explosão de alegria no cinzento da História.
ou
O dia em que Portugal interrompeu uma década de crescimento económico e se lançou no turbilhão duma revolução que destruiu a economia nacional. A época que nos deixou reféns duma cultura de esquerda. Uma bebedeira de loucos que minou o país.
Globalização
2. Garante dos lucros das multinacionais e do alargar do fosso entre pobres e ricos. Só a deseja quem já é rico.
Professores
2. Enredados numa rede de corporativismo caduco, são incompetentes, amarrados ao tacho, têm horror à mudança, defendem ideologias caducas que tentam incutir irreflectidamente aos alunos. O resultado: gerações de jovens sem rumo, presos a uma cultura pimba, sem disciplina nem cultura de esforço.
Bloco de Esquerda
1. O partido da arrogância, do paternalismo moral, do totalitarismo latente, do passado. Acha que os principais problemas do país são a homofobia, o racismo e a criminalização das drogas. Partido pretensamente moderno, pseudo-intelectual, da esquerda manienta. Debaixo das aparências, ideias velhas, mas limpas de resquícios proletários fora de moda.
2. O partido da coragem, da frontalidade, da verdadeira democracia, do futuro. Sabe que é preciso combater a falsa moralidade e a hipocrisia que se escondem por trás da homofobia e do racismo. Tem ideias novas, representa a renovação da esquerda e do país, é um partido jovem, que permite dar um abanão à sociedade esclerosada de um país parado.
PSD
1. Partido estilhaçado entre sociais-democratas, liberais, democratas-cristãos e populistas. Para acordar os militantes, basta recordar o papão: “Comunicação Social”. Ninho privilegiado dos monstros autárquicos. Partido dos interesses instalados, um dos culpados “do estado a que isto chegou”.
2. Partido sem complexos ideológicos, possui os melhores quadros do país. Liberal e social-democrata q.b. Costuma pôr mãos à obra e resolver as trapalhadas do PS (em 1985, pôs um ponto final à trapalhada pós-revolucionária; em 2002, pôs um ponto final à trapalhada guterrista).
PS
1. Partido esquizofrénico, de nome socialista, mas com o socialismo na gaveta. Gasta tudo o que pode até dar cabo do défice (como Guterres em 2000) ou, em alternativa, aperta o cinto dos portugueses até fazer sangue, sem qualquer plano verdadeiro, descobrindo o prazer da arrogância. Desbaratou a herança de Cavaco Silva e Durão Barroso.
2. Partido de esquerda moderna descomplexada, representante da verdadeira social-democracia, defensor simultâneo da economia de mercado e da justiça social. Diminuiu em poucos anos o pesado défice deixado pelo PSD em 1995. Em 2005, demonstra a coragem que lhe negavam para enfrentar interesses instalados.
Euro
1. Causa da crise económica actual. Culpado do aperto nas carteiras dos portugueses. Razão principal do aumento da inflação. Uma reforma estrutural completamente inútil e caríssima, imposta de cima sobre todos os cidadãos.
2. Salvação da economia nacional. A transição para a moeda única permitiu aumentar os rendimentos dos portugueses, desde 1996, em 30%. Permite não aumentar os juros e manter a inflação tão baixa como está agora.
Jovens
2. Com um nível de formação muito superior ao das gerações anteriores, são a primeira geração a conseguir competir internacionalmente. Sem complexos inúteis, com uma nova moralidade, uma forte cultura de grupo e muita generosidade, têm uma atitude mais saudável perante a vida, o país e o mundo.
Velhos
1. Com uma visão do mundo toldada por um ensino antiquado, não conseguem compreender os novos tempos, têm um nível de formação típico do terceiro mundo, são arrogantes e mal-educados quando expressam as suas ideias.
2. Com uma formação alicerçada nos velhos valores nacionais, têm a sabedoria que falta aos jovens, são poupados, compreensivos, bondosos e pacientes. Não aceitam a violência, despudor e falta de respeito que grassa na cultura actual.
Descobrimentos
1. O auge da História de Portugal, quando o país era uma potência, tinha espírito empreendedor e dava lições ao mundo. Possibilitou o desenvolvimento tecnológico do país, colocou Portugal, por uma vez, no centro das decisões da Europa.
2. A causa da decadência de Portugal. Sorvedouro de recursos e população. Possibilitou a transferência de capital dos territórios descobertos para os outros países europeus.
Futebol
2. O único caso de sucesso internacional do país. Uma das poucas causas de alegria num cenário de crise generalizada. A selecção nacional de futebol serve, especialmente, para criar momentos de comunhão nacional, que anima o espírito (e a economia) dos portugueses.
Blogoesfera
1. O lugar da moda. A nova forma de comunicação em Portugal. Lugar onde se escreve cada vez melhor. Uma nova forma democrática e em rede de entender os media.
2. Um lugar desconhecido por 80% dos portugueses. Mania de intelectuais e escrevinhadores. Espuma de palavras sem consequência ou sentido. Feira de vaidades, sem crivo editorial.

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